Uma Kombi 2012 entrou em uma oficina de Campinas com prazo quase impossível e saiu quatro meses depois com bancos de couro, TV de 43 polegadas, frigobares e uma missão: devolver a Neymar uma lembrança da infância chamada “Filomena”

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Durante anos, uma velha Kombi fez parte de uma história que quase ninguém via, era nela que Neymar, ainda menino e longe dos estádios lotados, seguia com a família para os treinos no interior de São Paulo, até que décadas depois aquela lembrança saiu do passado e reapareceu diante dele de um jeito impossível de ignorar, completamente restaurada, transformada em veículo de luxo e preparada como presente de aniversário pelo próprio pai.

A ideia nasceu da memória da família, que chamava a antiga Kombi de “Filomena”, ou simplesmente “Filó”, nome ligado ao período em que o garoto ainda dependia daquele veículo para perseguir o sonho de se tornar jogador profissional, e foi justamente essa ligação afetiva que Neymar Pai decidiu recuperar ao encomendar uma nova versão baseada em uma Kombi 2012.

O trabalho ficou nas mãos de uma empresa de Campinas especializada em transformar Kombis em veículos personalizados, mas havia um problema desde o início, projetos desse porte normalmente levam cerca de dez meses e a encomenda chegou em outubro com uma data que não podia ser adiada, o aniversário de Neymar em fevereiro, deixando apenas quatro meses para desmontar, restaurar, modificar e entregar o carro pronto.

Neymar passou a infância indo aos treinos em uma velha Kombi chamada “Filomena”, até que décadas depois o pai decidiu transformar a lembrança em um presente de luxo com TV, couro e frigobares

A equipe correu contra o calendário e transformou a carroceria em uma Kombi azul metálica de presença impossível de esconder, enquanto o interior recebeu acabamento em azul e branco, bancos de couro reclináveis e encostos personalizados com nomes de familiares e amigos, fazendo com que cada detalhe tivesse mais relação com a história do jogador do que com uma simples preparação automotiva.

O que antes era um veículo simples de transporte familiar passou a carregar uma TV de 43 polegadas, dois frigobares, sistema de som multimídia, ar-condicionado e partida por aproximação, criando uma espécie de sala particular sobre rodas, mas sem apagar o formato que remetia diretamente aos anos em que Neymar ainda atravessava estradas para chegar aos campos de treinamento.

Até o teto ganhou uma função diferente, uma escada permite acesso ao bagageiro superior e à estrutura preparada para suportar até 120 quilos, detalhe que reforça o tamanho da transformação feita em apenas quatro meses e ajuda a explicar por que a Kombi rapidamente chamou atenção quando apareceu nas redes sociais.

Antes dos milhões, dos estádios lotados e da fama mundial, Neymar era levado aos treinos em uma Kombi da família, e anos depois o pai decidiu reconstruir essa memória como um veículo de luxo chamado “Filomena”

A primeira grande aparição aconteceu justamente onde essa história fazia mais sentido, Neymar usou a “Filomena” para chegar ao centro de treinamento do Santos, agora não mais como o menino levado pela família para perseguir uma oportunidade, mas como jogador consagrado dirigindo uma versão luxuosa do veículo que acompanhou o começo de sua trajetória.

A repercussão foi imediata e também mexeu com a rotina da empresa responsável pelo projeto, que já produzia cerca de 24 unidades por ano e tinha sua agenda praticamente preenchida até novembro, mas viu novos interessados surgirem depois que as imagens da Kombi de Neymar começaram a circular.

Não há um preço divulgado especificamente para a “Filomena”, porque cada projeto depende do nível de personalização escolhido pelo cliente, porém a empresa informou que suas transformações partem de aproximadamente R$ 250 mil, valor que pode aumentar conforme equipamentos, acabamento e alterações solicitadas.

O presente ganhou valor justamente por misturar duas fases completamente diferentes da mesma vida, a Kombi que um dia significou deslocamento simples para um garoto chegar aos treinos voltou décadas depois como um veículo de luxo, carregando tecnologia, conforto e acabamento sofisticado, mas preservando uma lembrança que dinheiro algum conseguiria fabricar do zero, o “menino” que andava de Kombi hoje tem até Ferrari.

Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado, com foco em durabilidade e custo-benefício.