Akon prometeu erguer no Senegal uma cidade futurista com hospitais, hotéis, carros elétricos e criptomoeda própria, mas depois de anos olhando para um terreno quase vazio, o país viu o projeto “Akon City” chegar ao fim de forma surpreendente
Durante anos, quem chegava a Mbodiène, na costa do Senegal, precisava de imaginação para enxergar o que Akon prometia construir ali, porque naquele terreno deveriam surgir hotéis, hospitais, centros comerciais, estúdios de cinema e uma cidade futurista movida por tecnologia, energia limpa e uma criptomoeda própria, mas enquanto as imagens mostravam uma espécie de Wakanda africana cercada por prédios reluzentes, a realidade continuava praticamente vazia e, em junho de 2025, veio a confirmação que transformou uma promessa bilionária em uma história sobre um futuro que nunca chegou.
Tudo começou com uma ideia grande o suficiente para atravessar continentes, Akon queria erguer no país de suas raízes uma cidade capaz de simbolizar uma nova África, moderna, conectada e independente, e o plano ganhou força pública em 2020, quando maquetes e imagens digitais apresentaram uma paisagem urbana que parecia pertencer às próximas décadas, com grandes edifícios, empreendimentos turísticos e uma infraestrutura que deveria atrair moradores, investidores e visitantes de várias partes do mundo.
A proposta tinha ainda um elemento que ajudava a transformar a história em algo quase cinematográfico, a economia local deveria conversar com a Akoin, criptomoeda criada por Akon, enquanto a mobilidade imaginada para a cidade apostava em soluções sustentáveis e veículos elétricos, fazendo com que o empreendimento ganhasse comparações com Wakanda e fosse tratado como uma tentativa de construir não apenas um bairro novo, mas uma vitrine tecnológica para o continente africano.
No papel, cada nova promessa parecia aproximar esse futuro da realidade, porém os anos começaram a passar e aquilo que deveria ser medido em quilômetros de avenidas, edifícios e infraestrutura continuava sendo medido principalmente em projetos, apresentações e novos prazos, até que a ausência de avanços concretos começou a mudar o tom da história e moradores, autoridades e observadores passaram a perguntar não quando Akon City ficaria pronta, mas se algum dia ela realmente existiria.
O contraste ficou ainda maior porque o terreno escolhido para receber aquela cidade continuava longe das imagens grandiosas divulgadas ao mundo, enquanto a primeira fase prevista não avançava como esperado e o projeto atravessava uma longa estagnação, situação que alimentou dúvidas no próprio Senegal sobre a capacidade de transformar a promessa em construção efetiva.

Durante algum tempo ainda parecia possível salvar o sonho simplesmente empurrando o calendário para frente, surgiram previsões mais longas e a ideia de que a cidade poderia precisar de muitos anos adicionais para ficar pronta, mas a história tomou outro rumo quando a SAPCO, empresa estatal responsável pelo desenvolvimento de áreas costeiras e turísticas do Senegal, passou a negociar diretamente com Akon uma solução para o impasse.
Foi então que, em 26 de junho de 2025, o diretor-geral da SAPCO, Serigne Mamadou Mboup, colocou fim à maior dúvida que acompanhava o projeto, Akon City já não existia mais como havia sido concebida, as partes chegaram a um acordo amigável e aquela cidade futurista anunciada com hotéis, hospitais, centros comerciais e estúdios de cinema foi oficialmente abandonada.
A história de Akon naquele terreno, porém, não terminou completamente, porque um novo empreendimento imobiliário foi negociado para uma área de aproximadamente oito hectares dentro do mesmo local, agora descrito pela SAPCO como um projeto mais realista, uma mudança que preserva alguma participação do artista em Mbodiène, mas deixa para trás a escala monumental que transformou Akon City em manchete internacional.
No fim, o detalhe mais impressionante talvez esteja justamente na distância entre o começo e o desfecho, porque a cidade que um dia prometeu colocar o Senegal no centro de uma narrativa sobre criptomoedas, energia limpa e mobilidade do futuro não precisou esperar até 2036 para descobrir seu destino, ela terminou antes disso, sem que suas grandes avenidas e construções futuristas saíssem das apresentações para ocupar a paisagem de Mbodiène.
Fonte: Wikipedia, Guardian, Lemonde e Nilepost.
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