BYD lança picape híbrida flex pensada para a América Latina com versões 4×2 e 4×4 na faixa de R$ 220 mil

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A BYD está perto de entrar em uma das partes mais disputadas do mercado brasileiro. A BYD Mako será uma picape menor que a Shark 6, com produção em Camaçari, na Bahia, e tamanho pensado para colocá-la no mesmo campo de modelos como a Fiat Toro. A chegada foi confirmada para 2026 e representa uma nova etapa da expansão da marca fora dos segmentos em que já atua com força no país.

O projeto tem uma diferença importante para boa parte das picapes vendidas nessa faixa. A Mako terá sistema híbrido plug-in flex, tecnologia que permite carregar a bateria na tomada e também usar gasolina ou etanol no motor a combustão. A proposta combina deslocamentos curtos usando energia elétrica com a liberdade de seguir viagem usando combustível quando a carga acaba.

A BYD Mako chega em 2026 como picape híbrida plug-in flex, menor que a Shark 6 e com produção prevista em Camaçari, na Bahia.

Os números divulgados durante o desenvolvimento apontam potência próxima de 235 cv, equivalente a cerca de 175 kW, considerando a atuação conjunta do motor a combustão e do conjunto elétrico. A autonomia elétrica pode ficar perto de 100 km, dependendo da versão e da configuração definitiva. Esses dados ainda precisam ser confirmados na ficha técnica final do modelo vendido no Brasil.

A linha também deve ter versões 4×2 e 4×4. As configurações com tração dianteira ficariam voltadas principalmente ao uso urbano, profissional e familiar, enquanto a tração integral seria reservada para versões superiores. A diferença pode ampliar o público da picape sem obrigar todos os compradores a pagar por um sistema 4×4 que talvez nunca usem.

O preço ainda não foi anunciado oficialmente. Durante o desenvolvimento, a expectativa ficou próxima de R$ 220 mil, valor que colocaria a Mako em confronto direto com picapes médio-compactas já conhecidas do brasileiro. A Fiat Toro aparece naturalmente nessa disputa por ocupar há anos uma posição entre as picapes menores e as médias tradicionais.

A fabricação em Camaçari também é uma parte importante do projeto. A fábrica baiana passou a concentrar uma fatia cada vez maior da operação brasileira da BYD, com produção local de veículos e expansão do número de funcionários e fornecedores. A Mako foi desenvolvida com atenção especial ao Brasil e a outros países da América Latina, permitindo mudanças próprias para esses mercados em vez de simplesmente repetir um produto criado para a China.

O projeto foi criado para o Brasil e outros mercados latino-americanos, com identidade própria e calendário diferente dos modelos chineses.

Segundo o Carro.Blog.Br, fora do Brasil, a picape também poderá usar o nome Shark 5. Por aqui, Mako foi o nome apresentado durante o desenvolvimento. O desenho segue uma linha menos imponente que a Shark 6 e busca ocupar uma faixa em que tamanho, preço e facilidade de uso na cidade pesam tanto quanto capacidade de carga e força.

A BYD também estuda abrir outra frente com o Dolphin G DM-i. Diferente do Dolphin elétrico já conhecido, essa versão usa sistema híbrido plug-in formado por motor 1.5 a gasolina e uma unidade elétrica responsável por boa parte da movimentação do carro. Ainda não existe confirmação de lançamento no Brasil.

Na Europa, o Dolphin G DM-i tem uma versão Active com bateria de 7,42 kWh e autonomia elétrica de até 40 km pelo ciclo WLTP. As configurações Boost, Comfort e Sport usam bateria de 18,3 kWh e podem percorrer até 105 km usando apenas eletricidade. A autonomia combinada declarada supera 1.000 km nas versões de maior bateria.

A chegada do hatch ao Brasil dependeria de uma decisão comercial e de uma possível adaptação ao sistema flex. A BYD já mostrou que pretende usar gasolina e etanol em seus híbridos nacionais, uma tecnologia especialmente importante em um país onde o etanol está disponível em milhares de postos. A Mako será o teste mais importante dessa estratégia dentro de um segmento que ainda tem forte presença de motores exclusivamente a combustão.

Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado, com foco em durabilidade e custo-benefício.