Audi vindo da Alemanha chega ao Brasil para um teste incomum e roda com combustível produzido a partir do esgoto tratado pela Sabesp em Franca

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Tudo começou com uma ideia que parecia improvável até para quem estava acostumado a ver tecnologia saindo de laboratórios, fazer um Audi rodar usando combustível produzido a partir do esgoto, sem depender de gasolina, etanol ou do gás natural veicular convencional, e foi justamente essa experiência que levou a Sabesp a colocar um Audi A5 g-tron vindo da Alemanha nas ruas de São Paulo para descobrir até onde poderia chegar o biometano produzido dentro de uma estação de tratamento.

Entre 17 e 21 de dezembro de 2018, o Audi A5 g-tron foi colocado à disposição da equipe da Estação de Tratamento de Esgoto de Franca, no interior paulista, onde pesquisadores e técnicos passaram a avaliar autonomia e desempenho usando um combustível que começava sua trajetória exatamente onde ninguém esperaria encontrar energia para movimentar um automóvel, no esgoto que chegava diariamente à estação.

Em vez de gasolina, Audi A5 g-tron recebe biometano produzido dentro de estação de tratamento de esgoto e entra em testes para medir autonomia e desempenho

A experiência não nasceu apenas para colocar um carro sofisticado em movimento, desde abril daquele ano a Sabesp já utilizava o biogás produzido no tratamento do esgoto para abastecer uma frota de 20 veículos em Franca, transformando um resíduo inevitável das cidades em uma fonte capaz de substituir combustíveis tradicionais e reduzir o desperdício de uma energia que antes poderia simplesmente desaparecer durante o processo de tratamento.

O caminho até o tanque começava quando o biogás gerado pelo esgoto passava por um sistema responsável por retirar impurezas e umidade e elevar a concentração de metano, depois desse tratamento surgia o biometano, combustível que podia ocupar o lugar da gasolina, do etanol e do GNV e que seria justamente o responsável por alimentar o Audi durante os testes realizados pela companhia.

Sabesp transforma gás gerado pelo esgoto em combustível, abastece uma frota de 20 veículos e coloca Audi alemão à prova para mostrar até onde a tecnologia poderia chegar

Os números ajudavam a mostrar por que aquela experiência chamava tanta atenção, a Estação de Tratamento de Esgoto de Franca recebia em média 500 litros de esgoto por segundo e produzia aproximadamente 2.500 Nm³ de biogás diariamente, volume que segundo as informações divulgadas pela Sabesp tinha potencial para substituir cerca de 1.500 litros de gasolina comum todos os dias.

Por trás daquele Audi também existia um projeto de R$ 7,4 milhões desenvolvido em parceria entre a Sabesp e o Instituto Fraunhofer IGB, da Alemanha, que forneceu equipamentos destinados ao armazenamento, beneficiamento e compressão do biogás, além de assistência técnica, enquanto a companhia paulista ficou responsável pelas obras, instalações, adaptações dos veículos, licenças, impostos e infraestrutura necessária para colocar o sistema em funcionamento.

Audi A5 g-tron foi testado pela Sabesp com biometano produzido no tratamento de esgoto, tecnologia que transforma biogás em combustível e pode substituir gasolina, etanol e GNV.

Quando o Audi A5 g-tron chegou à sede da Sabesp no bairro de Pinheiros, em São Paulo, ao final daquele período de testes, o carro carregava algo maior do que a curiosidade provocada por um modelo alemão abastecido com gás produzido do esgoto, ele representava uma demonstração prática de como aquilo que normalmente termina escondido dentro de tubulações e estações de tratamento poderia voltar para as ruas transformado em energia e movimentar automóveis.

Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado, com foco em durabilidade e custo-benefício.