Durante quase 30 anos, Marcos Palmeira viu uma fazenda degradada na Região Serrana do Rio de Janeiro mudar de destino, porque o terreno comprado em 1997 em Teresópolis deixou de ser apenas uma propriedade rural para se transformar pouco a pouco em uma área dedicada à recuperação da Mata Atlântica, onde nascentes passaram a ser protegidas, o solo recebeu atenção e a vegetação começou a retornar, até que décadas depois aquele trabalho iniciado de forma contínua ganhou uma escala ainda maior com um projeto capaz de alcançar 130 hectares e preparar o plantio de 200 mil árvores nativas.
Quando a Fazenda Vale das Palmeiras foi adquirida, parte da área carregava sinais de degradação e exigia recuperação, principalmente nos trechos próximos às nascentes, pontos fundamentais para evitar erosões, preservar cursos d’água e criar condições para que a vegetação voltasse a ocupar espaços antes comprometidos, por isso o trabalho começou justamente onde a água e o solo precisavam de proteção e continuou avançando ao longo dos anos.
A transformação entrou em uma nova fase em maio de 2022, quando uma parceria com o Instituto Terra de Preservação Ambiental estabeleceu um projeto de restauração de 1,3 milhão de metros quadrados, o equivalente a cerca de 182 campos de futebol, combinando o plantio de mudas com a regeneração natural para recuperar características próprias da Mata Atlântica e devolver funções ecológicas à área.
O plano prevê 200 mil árvores nativas espalhadas por 130 hectares, com espécies como jequitibá, palmito-jussara, aroeira e pau-ferro, uma escolha que vai além de cobrir o terreno de verde, porque espécies do próprio bioma ajudam a reconstruir relações com animais, recursos hídricos e outras plantas que dependem desse ambiente para formar novamente uma floresta funcional.
Segundo a CNN, dentro da propriedade, a proteção ganhou ainda uma camada permanente com duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural, chamadas Rildo 1 e Rildo 2, áreas privadas destinadas voluntariamente à conservação da biodiversidade e que continuam protegidas mesmo diante de uma eventual mudança de proprietário, enquanto o trabalho com o ITPA também inclui a elaboração de planos de manejo para orientar preservação, monitoramento e administração dessas reservas.
Ao mesmo tempo, a fazenda manteve sua atividade produtiva com agricultura orgânica, fazendo com que produção rural e recuperação ambiental ocupassem o mesmo território, numa combinação que transformou uma área antes degradada em um projeto onde nascentes, floresta, cultivo e conservação passaram a fazer parte da mesma história, mostrando como uma propriedade comprada em 1997 chegou quase três décadas depois com um plano de 200 mil novas árvores e 130 hectares destinados à restauração da Mata Atlântica.