Quando Leer voltou ao abrigo, ninguém imaginava que a justificativa para a devolução faria tanta gente parar diante da tela, porque o gato que havia acabado de ganhar uma casa estava novamente no gatil por um motivo simples e difícil de ignorar: ele seria “dependente demais” de atenção.
Antes disso, Leer já carregava uma trajetória complicada, encontrado em uma colônia com cerca de 50 gatos, ele se destacava por ser carinhoso enquanto os outros animais eram ariscos, além de apresentar dificuldade para enxergar, detalhe percebido pelas voluntárias logo no resgate.
No dia seguinte, veio a consulta veterinária e também o diagnóstico de calicivirose, uma infecção viral contagiosa que exigia tratamento e afastamento de outros gatos, mas havia outro indício de que Leer já tivera uma vida diferente, ele era castrado, o que levou a ONG Gatinhos de Atlântida a acreditar que havia pertencido a alguém antes de aparecer naquela colônia.
Durante dois meses, Leer permaneceu no gatil recebendo cuidados até apresentar melhora, e quando finalmente foi anunciado para adoção parecia que aquela sequência de abandono, doença e espera estava chegando ao fim.
Só que ele voltou.
A primeira tutora decidiu devolvê-lo e informou que Leer precisava de atenção demais, uma característica que poderia ter encerrado a história ali mesmo, mas três dias depois a ONG publicou o caso nas redes sociais e a imagem daquele gato novamente no abrigo começou a circular.
A reação foi imediata, milhares de pessoas se comoveram com a história e mais de 100 manifestações de interesse chegaram ao projeto, transformando justamente aquilo que havia provocado a devolução em uma das razões pelas quais tanta gente queria oferecer uma nova casa.
Entre os interessados estava Carlos Eduardo Oliveira, estudante de arquitetura e urbanismo da UFRGS, que decidiu se candidatar porque tinha tempo, espaço e disposição para conviver com um animal que gostava de companhia.
Leer então deixou mais uma vez o gatil e chegou ao apartamento do novo tutor em Porto Alegre, passou os primeiros dias apenas no quarto e, pouco a pouco, começou a explorar os outros cômodos, sempre permanecendo perto de Carlos e procurando carinho.
Nada mudou no comportamento que havia sido considerado um problema, Leer continuou seguindo o tutor pela casa, continuou querendo atenção e continuou procurando contato sempre que podia, mas desta vez ninguém esperava que ele deixasse de ser assim.
Foi então que uma nova fotografia começou a circular nas redes sociais, agora com Leer ao lado do novo tutor e com uma expressão interpretada por muita gente como feliz, criando um contraste com a imagem que havia acompanhado sua devolução.
Hoje, todas as noites, quando Carlos se deita, Leer pula na cama, se aproxima em poucos segundos e dorme ao lado dele, e o gato devolvido porque queria companhia demais acabou encontrando alguém para quem ficar sempre por perto nunca foi um defeito.
Com informações do Instagram, CNN e G1.