Os patinetes elétricos se tornaram uma opção popular de transporte urbano nos últimos anos. Utilizados tanto para deslocamentos diários quanto para lazer, esses veículos ganharam espaço nas cidades como uma alternativa à mobilidade tradicional. No entanto, o aumento do uso trouxe consigo um crescimento significativo no número de acidentes envolvendo esse modal.
Um estudo publicado na revista Injury Prevention da BMJ Journals revelou que, entre 2019 e 2022, o número de atendimentos médicos relacionados a acidentes com patinetes elétricos triplicou nos Estados Unidos. A pesquisa, baseada em dados do National Electronic Injury Surveillance System, identificou que o uso de álcool e outras substâncias é uma das principais causas dos incidentes.
As ocorrências envolvendo patinetes elétricos no Brasil ainda não foram amplamente documentadas, mas empresas que operam o serviço em diversas cidades já relatam infrações frequentes por parte dos usuários. Esse cenário levanta questionamentos sobre a segurança do modal e a necessidade de regulamentações mais rígidas para evitar acidentes.
O estudo revelou um aumento expressivo nos acidentes com patinetes elétricos nos Estados Unidos. Em 2019, foram registrados 22.835 atendimentos em prontos-socorros relacionados a esses veículos. Já em 2022, esse número saltou para 65.892 casos. Esse crescimento reflete tanto a popularização do modal quanto a falta de medidas de segurança eficazes.
A pesquisa também apontou que a maioria das vítimas de acidentes eram homens, representando 79,6% dos casos envolvendo patinetes elétricos e 79,7% dos incidentes com bicicletas elétricas. Os jovens foram o grupo mais afetado, com 51,5% dos acidentes envolvendo pessoas entre 18 e 39 anos.
Além disso, o levantamento indicou que 34,9% dos envolvidos nos acidentes com patinetes elétricos eram brancos não hispânicos, enquanto o percentual para bicicletas elétricas foi de 38,8%. Esses dados demonstram que o uso do modal e seus riscos não estão distribuídos de maneira uniforme entre os diferentes grupos da população.
Entre os principais fatores apontados para o crescimento dos acidentes está o uso de álcool e outras substâncias durante a condução dos patinetes. A pesquisa identificou que 8,6% dos atendimentos médicos estavam relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas.
Os homens apresentaram um risco significativamente maior de pilotar sob efeito do álcool, sendo 2,6 vezes mais propensos a conduzir embriagados do que as mulheres. Além disso, o estudo revelou que os homens tinham 2,2 vezes mais chances de utilizar outras substâncias antes de se envolverem em um acidente com patinetes elétricos.
A falta de capacetes e outros equipamentos de proteção também foi apontada como um agravante para a gravidade dos acidentes. Apesar de algumas cidades exigirem o uso de capacete para condutores de patinetes elétricos, a adesão a essa medida ainda é baixa, aumentando o risco de lesões graves.
Os dados levantados pelo estudo reforçam a necessidade de políticas públicas mais eficazes para garantir a segurança dos usuários de patinetes elétricos. A regulamentação desse tipo de transporte ainda é um desafio em muitas cidades, e as medidas adotadas até o momento nem sempre são suficientes para reduzir os riscos.
A implementação de limites de velocidade, restrições de circulação em determinadas áreas e campanhas educativas sobre o uso seguro dos patinetes são algumas das iniciativas que podem contribuir para a redução dos acidentes. Além disso, o fortalecimento da fiscalização e a aplicação de penalidades para infrações podem inibir comportamentos de risco.
Outro ponto de debate é a obrigatoriedade do uso de capacetes e outros equipamentos de proteção. Enquanto algumas cidades já implementaram essa exigência, outras ainda discutem a viabilidade da medida. O estudo destaca que medidas de proteção podem ser fundamentais para reduzir a gravidade das lesões em caso de acidente.
Embora os dados do estudo se refiram aos Estados Unidos, o crescimento do uso de patinetes elétricos também é uma realidade no Brasil. Em diversas cidades, empresas de compartilhamento de patinetes operam o serviço, e as infrações cometidas pelos usuários já foram identificadas pelas operadoras.
A regulamentação dos patinetes elétricos no Brasil varia de acordo com o município, e algumas cidades estabeleceram regras para o uso do modal. No entanto, ainda há desafios na fiscalização e na conscientização dos usuários sobre a importância da segurança no trânsito.
Com o avanço da micromobilidade e a crescente adoção dos patinetes elétricos, especialistas apontam que medidas mais rigorosas podem ser necessárias para garantir um uso seguro e sustentável desse meio de transporte. A experiência dos Estados Unidos pode servir como um alerta para que o Brasil implemente políticas preventivas antes que o número de acidentes cresça significativamente.
O aumento dos acidentes com patinetes elétricos nos Estados Unidos evidencia os desafios enfrentados na implementação desse modal de transporte. O crescimento expressivo dos casos, associado ao consumo de álcool e à falta de equipamentos de proteção, levanta preocupações sobre a segurança dos usuários.
A regulamentação e a adoção de medidas de segurança são fundamentais para mitigar os riscos. A fiscalização mais rigorosa, a exigência de equipamentos de proteção e campanhas educativas podem contribuir para a redução dos acidentes.
No Brasil, o uso dos patinetes elétricos ainda não foi amplamente documentado, mas relatos de infrações indicam que os desafios enfrentados em outros países podem se repetir. A implementação de políticas preventivas pode ser decisiva para evitar um aumento significativo de acidentes nos próximos anos.
Fonte: Mobilidade, Oglobo e Oliberal.