A montadora Nikola, que já foi avaliada em R$ 170 bilhões, entrou com pedido de falência nos Estados Unidos, revelando desafios enfrentados pelo setor de veículos elétricos. A empresa, que prometia revolucionar o mercado com caminhões elétricos e movidos a hidrogênio, não conseguiu superar problemas financeiros, operacionais e judiciais, resultando no colapso de suas operações.
O pedido foi feito sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos EUA, um mecanismo que permite a reorganização de empresas insolventes. O processo expõe dificuldades que a Nikola enfrentou desde sua fundação, incluindo escândalos de fraude e problemas para escalar a produção. A crise financeira da companhia reflete um cenário mais amplo de desafios no setor de eletrificação de veículos, especialmente para empresas iniciantes.

A história da Nikola incluiu um rápido crescimento impulsionado por promessas ambiciosas e grande valorização no mercado de ações. No entanto, a empresa enfrentou obstáculos significativos, como alegações de fraude contra seu fundador, dificuldades de produção e a crescente concorrência de montadoras tradicionais e novas startups. Esses fatores resultaram em uma redução drástica de seu valor de mercado, agora estimado em apenas US$ 50 milhões.
A Nikola ficou marcada por um escândalo envolvendo seu fundador, Trevor Milton, que foi condenado por enganar investidores ao fazer afirmações falsas sobre os produtos da empresa. Um dos episódios mais notórios foi a divulgação de um vídeo onde um protótipo de caminhão parecia estar em movimento, mas, na realidade, estava apenas sendo empurrado ladeira abaixo.
Além disso, Milton fez diversas declarações sobre o desenvolvimento de caminhões revolucionários que, mais tarde, se revelaram exageradas ou falsas. Um dos casos envolveu um caminhão que foi apresentado como uma criação inovadora da Nikola, mas era, na verdade, um veículo da General Motors apenas com a logomarca da startup.
O impacto dessas ações afetou gravemente a credibilidade da empresa no mercado. Após a revelação das fraudes, as ações da Nikola despencaram, investidores perderam confiança e o fundador da companhia foi condenado a quatro anos de prisão. Em 2021, a empresa também pagou US$ 125 milhões para encerrar um processo da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), sem admitir culpa.
A Nikola enfrentou dificuldades para aumentar a produção de seus caminhões elétricos, resultando em altos custos operacionais e prejuízos constantes. No terceiro trimestre mais recente, a empresa conseguiu produzir apenas 83 caminhões, registrando um prejuízo líquido de quase US$ 200 milhões, evidenciando a ineficiência de suas operações.
Além da produção limitada, a empresa possuía apenas US$ 47 milhões em caixa, um valor considerado insuficiente para manter as operações e investir no crescimento. A falta de recursos financeiros agravou ainda mais a situação da Nikola, dificultando sua recuperação no mercado.
Os desafios operacionais também foram influenciados pela complexidade da tecnologia proposta pela Nikola. Caminhões movidos a hidrogênio exigem uma infraestrutura específica, o que dificultou a adoção em larga escala. Além disso, a empresa competia com fabricantes estabelecidos que já possuíam experiência na produção de veículos elétricos.
O pedido de falência da Nikola ocorre em um momento desafiador para o mercado de veículos elétricos. O crescimento das vendas nos Estados Unidos desacelerou, e políticas governamentais podem impactar ainda mais o setor. O ex-presidente Donald Trump já manifestou intenção de eliminar incentivos para veículos elétricos, o que pode dificultar a expansão dessas tecnologias.
A concorrência também foi um fator determinante para o fracasso da Nikola. Grandes montadoras tradicionais e novas startups do setor já dominam parte significativa do mercado, tornando difícil para uma empresa emergente ganhar espaço. Fabricantes como Tesla, Volvo e Daimler investiram pesadamente na eletrificação de caminhões, aumentando a competição.
As ações da Nikola continuaram caindo, refletindo a falta de confiança dos investidores. A empresa anunciou que pretende manter serviços de atendimento aos clientes até março, mas sua recuperação dependerá de novos financiamentos, o que parece improvável no atual cenário.
Os problemas da Nikola envolveram múltiplos fatores, desde questões internas até desafios externos no setor de veículos elétricos. Entre os principais motivos do colapso da empresa, destacam-se:
O futuro da Nikola depende de um financiamento substancial para retomar suas operações. Sem investidores dispostos a apostar na recuperação da empresa, a tendência é que suas atividades sejam encerradas definitivamente. O caso da Nikola serve como um exemplo dos desafios enfrentados por startups do setor de veículos elétricos, que precisam equilibrar inovação, investimentos e credibilidade para se manterem no mercado.