Honda WR-V estreia sua segunda geração no Brasil maior, mais caro e reposicionado, agora com preços a partir de R$ 147.100, mirando famílias que querem espaço e previsibilidade acima de desempenho.
A promessa central é simples: ser o SUV compacto da Honda focado em volume, espaço interno e segurança. O novo WR-V abandona de vez a imagem de crossover derivado do Fit, cresce de tamanho, muda de postura e passa a disputar compradores que hoje olham para T-Cross, Tracker e Renegade, mesmo sem recorrer ao motor turbo.
A linha é curta e objetiva. O WR-V EX 1.5 CVT custa R$ 147.100, enquanto o WR-V EXL 1.5 CVT sobe para R$ 152.100. Ambos ficaram mais caros poucos meses após o lançamento, um ajuste que já coloca o modelo acima do que muitos esperavam pagar pela porta de entrada dos SUVs da marca.
Na condução, a proposta é clara desde a primeira esquina. O motor 1.5 aspirado flex de 126 cv, sempre ligado ao câmbio CVT, entrega funcionamento suave, respostas progressivas e baixo nível de ruído. Não empolga em acelerações, mas também não frustra no trânsito urbano ou em viagens longas, desde que o motorista entenda o foco do carro.
O consumo ajuda a justificar essa escolha mais conservadora. Segundo o Inmetro, o WR-V registra até 12,8 km/l na estrada com gasolina, um número honesto para um SUV que cresceu de verdade e já não se comporta como compacto por dentro.
E é justamente no espaço que o modelo vira o jogo. Com 4,32 m de comprimento, 2,65 m de entre-eixos e porta-malas de 458 litros, o WR-V acomoda adultos no banco traseiro sem aperto e aceita bagagem de família, algo que sempre foi um limite na geração anterior.
O interior segue a cartilha da Honda: funcional, bem montado e sem excessos. A central multimídia de 10 polegadas com espelhamento sem fio resolve o essencial, o painel digital de 7 polegadas é claro e a posição de dirigir agrada pela ergonomia. Há decisões discutíveis, como o uso exclusivo de USB-A, mas nada que comprometa o uso diário.
Em segurança, a Honda não economizou. Todas as versões trazem o pacote Honda Sensing de série, com frenagem automática, controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa. É um ponto forte real frente a rivais que ainda tratam esses recursos como opcionais.
Produzido em Itirapina (SP), o WR-V chega ao mercado com garantia de 6 anos, sem limite de quilometragem, reforçando o discurso de tranquilidade no pós-venda e uso prolongado.
No fim, o novo WR-V não tenta seduzir pelo motor ou pelo preço agressivo. Ele aposta em espaço, segurança e conforto, agora cobrando mais por isso. Para quem busca um SUV familiar previsível e bem resolvido, a proposta faz sentido. Para quem esperava algo barato ou empolgante, o reposicionamento deixa claro que essa não é mais a intenção da Honda.